Curso técnico a distância tem mesmo impacto no salário que o presencial

Estudo feito pela Fundação Getúlio Vargas para o Instituto Votorantim avaliou como ficou a vida de quem cursou algum tipo de ensino técnico. Pessoas com formação profissional têm 48% mais chances de conseguir trabalho, mostra a pesquisa

Pesquisa divulgada ontem revelou que, ao contrário do que se imaginava, o impacto no emprego e no salário de quem cursou ensino técnico é igual nas modalidades do ensino presencial e a distância. O estudo A Educação Profissional e Você no Mercado de Trabalho foi conduzido pelo professor da Fundação Getúlio Vargas Marcelo Neri para o Instituto Votorantim e teve como objetivo verificar como ficou a vida de quem cursou – a distância ou não – algum tipo de ensino técnico, seja uma qualificação profissional de curta duração, ensino de nível médio ou curso superior para formação de tecnólogos. Para chegar aos resultados, o economista trabalhou com duas bases de dados do IBGE, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2007 e a Pesquisa Mensal de Emprego (PME) dos últimos oito anos. Segundo a Pnad, 29 milhões de pessoas frequentaram alguma dessas modalidades de curso. “Não queríamos saber sobre a demanda pelos cursos, mas sim entender o impacto deles no mercado de trabalho. Por isso, não consideramos quem estava fazendo o curso na época da pesquisa, mas somente os que já haviam pelo menos passado por um, mesmo sem ter se formado”, explicou Neri.

O panorama do setor surpreendeu o pesquisador em relação aos cursos a distância. Neri não imaginava que profissionais formados nessa modalidade tivessem rendimento e salário impactados da mesma forma que os oriundos do ensino presencial. “Pensei que tivesse alguma diferença entre quem faz curso a distância, mas não houve. É uma boa notícia.” “O ensino técnico, sobretudo se for de boa qualidade, proporciona ao jovem altas possibilidades de emprego, e é ótimo que o ensino a distância também proporcione renda e salário”, disse o      supervisor nacional da Pesquisa de Emprego e Desemprego do Dieese, Sérgio Mendonça. Para a conselheira da Associação Brasileira de Educação a Distância (Abed) Marta Maia, trata-se de uma conquista. “Uma parcela da população que não tinha acesso ao aperfeiçoamento profissional, principalmente em cidades do interior do País, tem uma grande oportunidade de melhorar de vida com o ensino a distância. E, como esse ensino profissional a distância é muito recente, é uma ótima notícia saber dessa aceitação.”

Para o diretor da Associação Brasileira dos Estudantes de Ensino a Distância (ABE-EAD), Leandro Chemalle, o resultado já era previsto. Para Chemalle, a modalidade já se provou bem-sucedida. “Os estudantes estão chegando ao mercado e a sociedade está vendo que a qualidade pode ser até superior que a dos formados na modalidade presencial”, afirmou. “O ensino técnico é profissionalizante e não há necessidade de ser presencial.”

Desde 2008 o governo federal oferece o programa Escola Técnica Aberta do Brasil (e-Tec Brasil), com 48 cursos a distância gratuitos, com apoio de polos presenciais em universidades e escolas. Atualmente há 20.580 alunos cursando. Em São Paulo, o Centro Paula Souza tem desde 2006 o Telecurso TEC, de ensino profissional a distância. No ano passado, o governo paulista fez uma parceria com Minas Gerais e Goiás, expandindo a área de atuação do Telecurso TEC. Turismo. Ao comparar pessoas da mesma idade e sexo, a pesquisa concluiu que as que têm formação profissional concluída têm 48,2% mais chances de encontrar uma ocupação profissional. A renda também foi afetada diretamente: os salários são 12,9% mais altos      para os com educação profissional. Outro dado da pesquisa tem relação com o grau de profissionalização de algumas áreas. O setor de turismo é que o tem índice mais alto de trabalhadores com formação técnica: 53%. Já na área de informática é um dos mais baixos, com apenas 12%. Mas para quem se especializa, não costumam faltar emprego. Rogério Barros, de 31 anos, fez ensino médio técnico em processamento de dados e logo conseguiu uma vaga na área de suporte. Decidiu continuar investindo na carreira e cursou Análise e Desenvolvimento de Sistemas na Fatec. Antes mesmo de se formar, em 2008, foi chamado para a Microsoft, onde atua como consultor. “Tem muito do esforço pessoal também, mas quase todos os meus amigos da Fatec estão com bons empregos”, diz.

Os Estados com maior proporção de pessoas com educação profissional são o Distrito Federal, Paraná e Rio Grande do Sul. Os que têm menor índice são Alagoas, Pernambuco e Maranhão. O rendimento de quem tem formação profissional também difere entre os Estados. PARA LEMBRAR – Lula e Serra expandem redes – A expansão das escolas e faculdades técnicas é uma bandeira tanto do governo federal quanto do Estado de São Paulo. Hoje, há 255 centros de educação profissional e tecnológica na rede federal e outros 99 estão em construção. Até 2002, eram apenas 140. O número de alunos passou de 160 mil vagas para 235 mil. No Estado de São Paulo, a expansão também foi grande. Há 49 Fatecs – e mais 3 devem ser entregues. Até o final de 2006, eram só 26. Nas Escolas Técnicas Federais (Etecs), o número de matriculados subiu de 77 mil alunos em 2006 para 180 mil este ano.

Estadão.edu

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Uma resposta

  1. Curso técnico a Distancia tem menos impacto no salário que o presencial.
    Complicado dar minha opinião neste assunto, pois acabei de sair de um curso de Educação Ambiental EAD, como já estou trabalhando o curso ampliou meu currículo, mas ainda não tive oportunidade de saber se me abriria portas.
    O que posso afirmar é que acredito no profissional, com diploma todos saem da faculdade, independente se com 10 ou 5 na media, não importando se presencial ou não, o profissional, este sim faz a diferença.

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