ABE-EAD divulga “Pesquisa Estudantes EAD 2010”

Pesquisa ABE-EAD 2010 sobre qualidade dos cursos de graduação a distância

Em meio a um forte processo de supervisão junto as instituições que ofertam cursos de graduação a distância por parte da SEED / MEC que causou bastante confusão na cabeça de alunos e gestores em instituições de todo o país, a ABE-EAD (Associação Brasileira dos Estudantes de Educação a Distancia) pelo segundo ano consecutivo realiza no Brasil uma pesquisa junto aos estudantes de graduação a distância com o objetivo de ouvi-los sobre a qualidade de seus cursos.

Tendo como objetivo expressar o julgamento dos estudantes sobre o que eles acham de seus cursos e como avaliam os processos utilizados pelas instituições que freqüentam para a construção do conhecimento universitário, focamos a abrangência da pesquisa nas instituições privadas que possuem credenciamento para a oferta de graduação a distância, excluindo aquelas que foram descredenciadas até junho de 2010 por força de supervisão do Ministério da Educação.

Iniciamos o processo de captação dos dados utilizando o mesmo questionário elaborado no ano de 2009 que contém 40 (quarenta) questões relacionadas a qualidade dos processos utilizados para a oferta dos cursos de educação a distância e que foi construído com a participação de diversos membros da comunidade de EAD. (segue em anexo questionário)

Foram avaliadas 56 (cinqüenta e seis) instituições que até junho de 2010 tinham turma de graduação em andamento há no mínimo 6 meses independente da quantidade de alunos matriculados ou de seu modelo pedagógico. Os dados referentes as IES pesquisadas foram captados junto ao ministério da educação através da SEED, retirados do Censo EAD e/ou solicitados diretamente as instituições.

Excluímos da pesquisa as instituições que:

  • Ofertam EAD apenas para complementação pedagógica;
  • Ofertam EAD apenas para pós graduação;
  • Não possuíam turmas de graduação a mais de 6 messes até junho de 2010;
  • Haviam sido descredenciadas para a oferta de graduação a distância pelo MEC até junho de 2010;

Ao contrario de 2009 onde abordamos todos os estudantes durante os encontros presenciais nos pólos de apoio, este ano optamos por contatá-los de forma híbrida ora presencial ora por contato telefônico com estudantes já cadastrados em outras atividades da ABE-EAD, sendo as questões exatamente iguais em ambos os casos.

Foram entrevistados 15.012 (quinze mil e doze) estudantes matriculados em 56 (cinqüenta e seis) instituições privadas entre os dias 01 julho e 29 de outubro de 2010 em todos os estados brasileiros. As entrevistas foram estimuladas, ou seja, o pesquisador da ABE-EAD lia as questões e o entrevistado escolhia uma entre as 5 (cinco) opções de resposta.

Devido a grande variação no número de alunos entre as instituições utilizamos um critério para a amostragem da pesquisa:

–          IES com menos de 10.000 (dez mil) alunos, entrevistamos 5% (cinco por cento) dos alunos.

–          IES com mais de 10.000 (dez mil) alunos entrevistamos 500 alunos.

As entrevistas presenciais ocorreram em momentos diversos observado as variadas datas para a realização de encontros presenciais no calendário das instituições sendo intercaladas com as entrevistas por telefone de forma que todas as IES tiveram entrevistados presenciais e por telefone.

A escala de notas dispostas no questionário foi baseada nas utilizadas pelo INEP (Instituto Anísio Teixeira) sendo:

–          1 péssimo;

–          2 ruim;

–          3 satisfatório;

–          4 bom;

–          5 ótimo.

A fórmula utilizada para chegarmos ao resultado de nota geral foi primeiro excluirmos 20 (vinte) entrevistas do total de questionários de cada IES sendo 10 (dez) questionários com as maiores notas e 10 (dez) com as menores notas,  soma – se  as notas ofertadas pelos alunos individualmente, dividi-se pelo número de alunos entrevistados, e novamente dividi-se pelo número de questões (NI + NI) / (NAE) / (NQ)= NG

As notas gerais indicam a qual grupo cada IES ficará novamente na escala de 1 a 5 apresentada anteriormente e para chegarmos a este resultado utilizamos a seguinte escala:

IES com nota geral entre 1 e 1.74 nota final – 1

IES com nota geral entre 1.75 e 2.74 nota final – 2

IES com nota geral entre 2.75 e 3.74 nota final – 3

IES com nota geral entre 3.75 e 4.74 nota final – 4

IES com notas acima de 4.75 nota final – 5

Veja na tabela abaixo as IES pesquisadas e suas notas.

Relação geral das instituições avaliadas

IES                                                            Nota Geral                                     Nota Final

FGV 4.91 5
AIEC 4.75 5
CESUMAR 4.70 4
UNISUL 4.69 4
UNINTER 4.68 4
PUC* 4.67 4
UNIASSELVI 4.65 4
CLARETIANO 4.63 4
METODISTA 4.62 4
COC 4.61 4
UNOPAR 4.52 4
ANHANGUERA 4.31 4
UCDB 4.30 4
FGF 4.25 4
UCB 4.21 4
UNIFACS 4.19 4
CBTA / INED 4.17 4
UVB** 4.16 4
A VEZ DO MESTRE 4.14 4
UNIV. CAXIAS DO SUL 4.13 4
OPET 4.11 4
BRAZ CUBAS 4.09 4
UNIV. CONTESTADO 4.08 4
UNIUBE 4.05 4
UNISINOS 4.04 4
UNIVERSO 4.02 4
SOCIESC 3.99 4
UNISA 3.98 4
UNIARARAS 3.95 4
FAPI 3.92 4
UNAERP 3.90 4
UNIJORGE 3.84 4
UNIFRAN 3.83 4
UNIGRAN 3.79 4
UNIJUÍ 3.78 4
FEAD 3.49 3
UNIP 3.38 3
INSEP 3.37 3
UNINCOR 3.34 3
UNIPAR 3.31 3
UNIS 3.22 3
UNOESC 3.20 3
ESTÁCIO DE SÁ 3.12 3
UNICEUMA 3.01 3
UNIT 2.99 3
UNIVALLE 2.91 3
FACAM 2.89 3
FARES 2.86 3
FAEL 2.85 3
UNITAU 2.82 3
FINOM 2.79 3
FUMEC 2.76 3
UNIMES 2.28 2
FTC 2.11 2
UNICID 1.73 1
ULBRA 1.72 1
* Em razão de terem obtido a mesma nota a PUC (SP) PUC (RJ) e PUC (MG) foram definidas como PUC.
** Foram avaliadas as IES que fazem parte deste consórcio UVB (Universidade Virtual Brasileira) Anhembi Morumbi, Veiga de Almeida, Unimonte, Unama e Universidade Potiguar.

As maiores IES de EAD do Brasil

Partindo da relação geral apresentada anteriormente, selecionamos apenas as IES que tenham mais de 20.000 (vinte mil) alunos de graduação para apresentarmos as 10 melhores entre as maiores IES do Brasil.

IES                                          Nota Geral                             Nota Final

1) UNINTER                             4.68                                          4

2) UNIASSELVI                       4.65                                        4

3) METODISTA                      4.62                                           4

4) COC                                        4.61                                           4

5) UNOPAR                             4.52                                           4

6) ANHANGUERA                4.31                                           4

7) UNIUBE                              4.05                                           4

8) UNISA                                  3.98                                           4

9) UNIP                                     3.38                                           3

10) ESTÁCIO DE SÁ              3.12                                           3

Observações importantes

A ABE-EAD (Associação Brasileira dos Estudantes de Educação a Distância) ao desenvolver esta pesquisa leva em consideração exclusivamente a opinião dos estudantes, suas críticas e elogios aos processos utilizados durante a construção do conhecimento ao longo do curso no qual esta matriculado, sem a preocupação de observar se determinada instituição possui em seu corpo docente mestres e doutores, qual o valor de sua mensalidade, se seu material é ou não incluso no valor da mensalidade ou até mesmo qual é o modelo de EAD que esta ofertando.

Nosso objetivo é dar voz aos estudantes e ajudar na avaliação institucional das instituições contribuindo para a melhoria geral na qualidade dos cursos de EAD ofertados no país.

(Fonte: ABE-EAD)

Curso técnico a distância tem mesmo impacto no salário que o presencial

Estudo feito pela Fundação Getúlio Vargas para o Instituto Votorantim avaliou como ficou a vida de quem cursou algum tipo de ensino técnico. Pessoas com formação profissional têm 48% mais chances de conseguir trabalho, mostra a pesquisa

Pesquisa divulgada ontem revelou que, ao contrário do que se imaginava, o impacto no emprego e no salário de quem cursou ensino técnico é igual nas modalidades do ensino presencial e a distância. O estudo A Educação Profissional e Você no Mercado de Trabalho foi conduzido pelo professor da Fundação Getúlio Vargas Marcelo Neri para o Instituto Votorantim e teve como objetivo verificar como ficou a vida de quem cursou – a distância ou não – algum tipo de ensino técnico, seja uma qualificação profissional de curta duração, ensino de nível médio ou curso superior para formação de tecnólogos. Para chegar aos resultados, o economista trabalhou com duas bases de dados do IBGE, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2007 e a Pesquisa Mensal de Emprego (PME) dos últimos oito anos. Segundo a Pnad, 29 milhões de pessoas frequentaram alguma dessas modalidades de curso. “Não queríamos saber sobre a demanda pelos cursos, mas sim entender o impacto deles no mercado de trabalho. Por isso, não consideramos quem estava fazendo o curso na época da pesquisa, mas somente os que já haviam pelo menos passado por um, mesmo sem ter se formado”, explicou Neri.

O panorama do setor surpreendeu o pesquisador em relação aos cursos a distância. Neri não imaginava que profissionais formados nessa modalidade tivessem rendimento e salário impactados da mesma forma que os oriundos do ensino presencial. “Pensei que tivesse alguma diferença entre quem faz curso a distância, mas não houve. É uma boa notícia.” “O ensino técnico, sobretudo se for de boa qualidade, proporciona ao jovem altas possibilidades de emprego, e é ótimo que o ensino a distância também proporcione renda e salário”, disse o      supervisor nacional da Pesquisa de Emprego e Desemprego do Dieese, Sérgio Mendonça. Para a conselheira da Associação Brasileira de Educação a Distância (Abed) Marta Maia, trata-se de uma conquista. “Uma parcela da população que não tinha acesso ao aperfeiçoamento profissional, principalmente em cidades do interior do País, tem uma grande oportunidade de melhorar de vida com o ensino a distância. E, como esse ensino profissional a distância é muito recente, é uma ótima notícia saber dessa aceitação.”

Para o diretor da Associação Brasileira dos Estudantes de Ensino a Distância (ABE-EAD), Leandro Chemalle, o resultado já era previsto. Para Chemalle, a modalidade já se provou bem-sucedida. “Os estudantes estão chegando ao mercado e a sociedade está vendo que a qualidade pode ser até superior que a dos formados na modalidade presencial”, afirmou. “O ensino técnico é profissionalizante e não há necessidade de ser presencial.”

Desde 2008 o governo federal oferece o programa Escola Técnica Aberta do Brasil (e-Tec Brasil), com 48 cursos a distância gratuitos, com apoio de polos presenciais em universidades e escolas. Atualmente há 20.580 alunos cursando. Em São Paulo, o Centro Paula Souza tem desde 2006 o Telecurso TEC, de ensino profissional a distância. No ano passado, o governo paulista fez uma parceria com Minas Gerais e Goiás, expandindo a área de atuação do Telecurso TEC. Turismo. Ao comparar pessoas da mesma idade e sexo, a pesquisa concluiu que as que têm formação profissional concluída têm 48,2% mais chances de encontrar uma ocupação profissional. A renda também foi afetada diretamente: os salários são 12,9% mais altos      para os com educação profissional. Outro dado da pesquisa tem relação com o grau de profissionalização de algumas áreas. O setor de turismo é que o tem índice mais alto de trabalhadores com formação técnica: 53%. Já na área de informática é um dos mais baixos, com apenas 12%. Mas para quem se especializa, não costumam faltar emprego. Rogério Barros, de 31 anos, fez ensino médio técnico em processamento de dados e logo conseguiu uma vaga na área de suporte. Decidiu continuar investindo na carreira e cursou Análise e Desenvolvimento de Sistemas na Fatec. Antes mesmo de se formar, em 2008, foi chamado para a Microsoft, onde atua como consultor. “Tem muito do esforço pessoal também, mas quase todos os meus amigos da Fatec estão com bons empregos”, diz.

Os Estados com maior proporção de pessoas com educação profissional são o Distrito Federal, Paraná e Rio Grande do Sul. Os que têm menor índice são Alagoas, Pernambuco e Maranhão. O rendimento de quem tem formação profissional também difere entre os Estados. PARA LEMBRAR – Lula e Serra expandem redes – A expansão das escolas e faculdades técnicas é uma bandeira tanto do governo federal quanto do Estado de São Paulo. Hoje, há 255 centros de educação profissional e tecnológica na rede federal e outros 99 estão em construção. Até 2002, eram apenas 140. O número de alunos passou de 160 mil vagas para 235 mil. No Estado de São Paulo, a expansão também foi grande. Há 49 Fatecs – e mais 3 devem ser entregues. Até o final de 2006, eram só 26. Nas Escolas Técnicas Federais (Etecs), o número de matriculados subiu de 77 mil alunos em 2006 para 180 mil este ano.

Estadão.edu

Aluno da Educação a Distância conquista a maior nota nacional no Enade

O instrutor e consultor na área de calçados, Antônio Edijalma Rocha Junior, aluno do curso a distância de Tecnologia em Gestão da Produção Industrial do Grupo Educacional UNINTER (Fatec Internacional), do Polo de Apoio Presencial de Jaú – SP, teve a maior nota no último Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade). Ao todo, alunos de mais de 40 instituições de educação presencial e a distância (Privada, Pública e Federal), realizaram o exame.

Com a nota de 80,3, Rocha Junior conseguiu a maior pontuação nacional, a média foi 45. “O Enade faz sorteios entre alunos iniciantes e concluintes para a realização da prova e, quando fui escolhido, soube somente com três meses de antecedência. Tive uma preparação muito boa pela faculdade. Esse resultado mostra que a educação, seja ela presencial ou a distância, traz resultados quando é bem executada”, explica.

O histórico com o resultado da média nacional, estadual e particular é enviado diretamente ao aluno. Após receber o histórico, Rocha Junior entrou em contato com a Faculdade para saber a documentação necessária para solicitar bolsa de estudos. “Fui até o meu Polo de Apoio Presencial para dar entrada no pedido de bolsa. Agora, pretendo cursar uma pós-graduação em Engenharia da Produção, com duração de um ano, também a distância, pelo UNINTER”.

Justiça derruba proibição do Conselho Federal de Biologia

A Justiça Federal suspendeu, por meio de uma liminar, a resolução do Conselho Federal de Biologia que proibia a concessão de registro profissional para alunos formados em cursos a distância. Desde junho de 2008, o conselho orientava as regionais a não registrarem esses profissionais. Para a Justiça, a proibição é inconstitucional. Não há dados precisos para contabilizar o total de afetados pela decisão. Além da Biologia, alunos e formados por cursos superiores a distância enfrentam resistência em outros órgãos, como o Conselho Federal de Serviço Social, que não apoia a modalidade, reconhecida pelo Ministério da Educação.

A dificuldade se estende ao mercado de trabalho, com problemas para encontrar empregos e estágios, até mesmo por meio de concurso público. O Conselho Nacional do Ministério Público e o Conselho Municipal de Educação de São Paulo, por exemplo, publicaram editais que não aceitava a participação de graduados em ensino a distância. A decisão contra o conselho de Biologia foi tomada na quinta-feira da semana passada pela e atinge os formados em Ciências Biológicas, Biologia e no programa especial de formação pedagógica de docentes. A liminar foi concedida após o MEC entrar com a medida judicial. A partir de agora, a liminar assegura o direito dos formados a distância de ter o diploma registrado como biólogo, que o conselho só concedia para graduados em cursos presenciais.

Hoje, existem 24 cursos de Biologia e Ciências Biológicas a distância – 13 de graduação. O texto da decisão, da juíza federal Maria Cecília de Marco Rocha, afirma que é função do MEC reconhecer e fiscalizar a qualidade dos cursos superiores e, por essa razão, não deve haver diferenciação de diplomas pela modalidade de ensino. Em um dos trechos, a juíza considera que “a educação a distância tem lastro em lei e não se restringe ao propósito de formar professores para o ensino fundamental e médio.” Até o fechamento da edição, o conselho não respondeu à reportagem. Ninguém foi encontrado também no Conselho Regional de Biologia da 2ª Região (que inclui Rio e Espírito Santo), o primeiro a negar o registro. Na época, cinco alunos formados por universidades públicas do consórcio Centro de Educação Superior a Distância do Estado do Rio (Cederj) não conseguiram se registrar.

COMEMORAÇÃO – A decisão da Justiça foi comemorada pelo MEC, entidades de ensino a distância e alunos. Para o secretário de Educação a Distância do ministério, Carlos Bielschowsky, a decisão era esperada. Segundo ele, a posição do conselho contrária ao ensino a distância decorre da falta de discussão no próprio órgão, que não reviu as atribuições de licenciados e bacharéis. Para o presidente da Associação Brasileira de Educação a Distância, Fredric Litto, a resolução do conselho era     corporativista. “Eles fazem isso para diminuir a competição no mercado”, afirma. “A Justiça percebeu que essas entidades estão desobedecendo à Constituição.” As entidades tentam, agora divulgar a decisão. “Estamos repassando ao maior número de instituições possível para os alunos saberem que o direito deles está assegurado agora”, afirma Ricardo Holz, presidente da Associação Brasileira de Estudantes de Ensino a Distância. Os alunos que estavam preocupados com a obtenção do registro apoiam a liminar. “Eu já estava com advogado para recorrer à Justiça para me registrar”, afirma Roger Maciel, de 30 anos, que se forma neste mês. “Agora tenho o direito. Estou emocionado.”

ENTENDA O CASO – Em junho de 2008, o Conselho Federal de Biologia (CFBio) orientou as regionais a não registrarem graduados em ensino a distância. A decisão do CFBio ocorreu – depois de cinco alunos formados por universidades públicas do consórcio Centro de Educação Superior a Distância do Estado do Rio (Cederj) solicitarem registro ao Conselho Regional de Biologia da 2ª Região. O registro foi negado e o órgão federal publicou a resolução que proibia formados em ensino a distância de se registrarem como biólogos. Na semana passada, uma decisão da 6ª Vara da Justiça Federal do Distrito Federal suspendeu a resolução do CFBio. Pela liminar, o registro é garantido aos alunos.

O Estado de São Paulo, 10/02/2010 – São Paulo SP

Educação e Banda Larga: do quadro-negro ao ensino a distância

É consenso que a evolução e o desenvolvimento de um País passam obrigatoriamente pela educação e pela qualidade do ensino transmitido a suas crianças e jovens. Cidadãos mais bem preparados, capacitados e qualificados produzem mais, movimentam a economia e geram riqueza. Democratizar a educação e o acesso ao conhecimento hoje deixou de ser uma questão apenas ideológica, tornando-se ferramenta imprescindível para qualquer nação, que, como se sabe, só progride se tiver mais pessoas com melhor nível educacional. Dentro deste contexto, o avanço do setor de educação no Brasil nos últimos anos é um fator positivo, uma vez que hoje muito mais pessoas conseguem chegar à Universidade e concluir um curso superior. A realidade do ensino também mudou significativamente, exigindo das instituições capacidade de se modernizarem e de prestarem serviços compatíveis com as novas necessidades do mercado.

Cada vez mais, as instituições de ensino precisam se profissionalizar na condição de empresas, aperfeiçoar sua gestão e garantir qualidade a seu público em todos os âmbitos. Essa evolução na organização das escolas e universidades, assim como nas formas de ensino, vem sendo ao mesmo tempo rápida e gradual, levando à necessidade de melhoria de recursos tanto administrativos como dentro da sala de aula. Saímos da época em que um quadro-negro bastava como ferramenta para o professor em sala de aula, passamos pelo retro-projetor e pelo data-show até chegar no acesso à Internet em Banda Larga, tanto para      uso administrativo por alunos e professores durante as aulas quanto como instrumento de pesquisa. Ou seja, conforme foi evoluindo, o setor de educação também impulsionou o mercado de telecomunicações e de TIC (Tecnologias da Informação e Comunicação), demandando banda larga com velocidades cada vez maiores para suportar necessidades administrativas e educacionais dentro do campus e também para interligar vários campus/filiais em redes virtuais próprias.

Toda essa trajetória evoluiu naturalmente para o desenvolvimento da tele-educação, que, especialmente em um País com dimensões territoriais como o nosso, ganha uma relevância ainda maior. O desenvolvimento acelerado das tecnologias da informação e comunicação impulsiona a utilização do ensino a distância, criando um novo território para a educação, o espaço virtual da aprendizagem, digital e baseado na Internet. O mercado pede isso e as instituições de ensino estão cada vez mais preparadas tecnologicamente para essa oferta.

Não é à toa que, segundo o MEC, de 2000 a 2008, a educação a distância no Brasil deu um salto significativo de 1.682 para 760.599 alunos que estudam por meio dessa modalidade de ensino, considerando-se apenas o nível superior. Na formação profissional técnica de nível médio, a meta é atender 200 mil alunos até 2010 por meio do ensino a distância. Hoje, 147 cursos são ofertados, com 11,2 mil estudantes matriculados. Há ainda um outro ponto que     completa esse círculo virtuoso quando se fala em ensino a distância e democratização do conhecimento: o usuário, o aluno. Com o aumento do número de computadores pessoais, a quantidade de pessoas que estão estudando ou sendo treinadas pela web não pára de crescer. Segundo a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), os brasileiros estão comprando um computador a cada três segundos e a venda de desktops e notebooks chegará a 13 milhões de aparelhos no fim deste ano, fazendo do País o quinto maior mercado de PCs do mundo, perdendo em vendas apenas para Estados Unidos, China, Japão e Inglaterra. As conexões à Internet por usuários residenciais também seguem em crescimento. Dados do IBOPE Nielsen Online mostram que o número de usuários ativos de web não pára de crescer mês a mês, chegando a cerca de 30 milhões de internautas que acessam a rede de casa regularmente. Em resumo: o computador conectado à Internet está mudando o padrão de vida educacional e cultural do brasileiro, criando um cenário extremamente promissor para alunos, instituições de ensino e provedores de telecomunicações. Obviamente sabemos que, tanto no ensino tradicional quando na modalidade a distância, garantir a qualidade do aprendizado dos alunos e o desenvolvimento dos professores deve ser sempre a maior meta perseguida. Se continuarmos progredindo nestas questões, podemos imaginar um País melhor, que crescerá impulsionado por uma população instruída e possuidora de uma maior capacidade de produção e decisão.

O dilema do diploma na EAD

A educação a distância é válida e primordial para o país
Carlos Alberto Chiarelli – Ex-ministro da Educação

A dúvida sobre a validade dos diplomas de quem frequenta um curso utilizando a educação a distância (EAD) é constante e erroneamente questionada. Segundo um levantamento da Associação Brasileira de Estudantes de Ensino a Distância (ABE-EAD), cerca de 18 mil alunos de cursos de EAD de instituições particulares e públicas sofreram preconceito por terem optado por essa modalidade de ensino. O estudo cita casos de discriminação por alunos de cursos presenciais, dúvidas dos empregadores sobre a validade dos cursos, mesmo os autorizados pelo Ministério da Educação (MEC), dificuldades para conseguir estágio, para obter o registro profissional e fazer inscrição em concurso. Esses dados são uma realidade muito triste, para não dizer preconceituosos, uma vez que os cursos a distância, desde que reconhecidos e autorizados pelo MEC, têm plena validade para todos os fins legais. Ou seja, desde que o aluno escolha uma instituição autorizada, o diploma deve gerar os mesmos efeitos de um curso  realizado em uma instituição qualquer pelos   métodos tradicionais, sem nenhuma vedação.

Devido a estes problemas enfrentados por alguns estudantes, o secretário de EAD do MEC, Carlos Eduardo Bielschowsky, foi a público informar que qualquer medida contra o aluno formado por instituições credenciadas pelo governo é ilegal. Além disso, para quem ainda não sabe, o diploma do curso a distância é válido e regulamentado pela Constituição, por meio do Decreto 5.622, de 19/12/2005, que revoga o Decreto 2.494/98) que regulamenta o artigo 80 da Lei 9.394/96, Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDBE). Graças ao bom senso, a não aceitação do diploma de alunos que cursaram a EAD vem caindo gradualmente. Não faz nenhum sentido questionar uma das modalidades de ensino que mais cresce no país (existem hoje aproximadamente 3 milhões de alunos que optaram pelo ensino a distância) devido à eficácia da EAD, que tem como maior aliada a  tecnologia, permitindo um acesso maior e mais     qualificado do saber.

Mas a visão retrógrada de algumas poucas pessoas continua tentando atrapalhar o sucesso do método. É preciso entender que nenhuma modalidade, seja qual for a opção, é melhor ou pior. Elas são apenas diferentes e têm um único propósito: levar a educação a todos. E o ensino a distância tem alcançado este fim. A qualidade dos materiais e professores contratados para a EAD supera qualquer dúvida a respeito desse método. Os estudantes que optam por essa metodologia têm um grau maior de disciplina para poder aprender, fazendo os próprios horários de estudo. Por isso, não posso crer que ainda existam pessoas contra tal eficiência no ensino. Está na hora de a população refletir um pouco mais sobre o que esta discussão representa para o futuro do Brasil. Quanto mais acesso ao ensino, mais cidadãos se tornarão conscientes e ativos na sociedade. A educação a distância é válida e primordial para o país, uma grande aposta para o futuro.

MEC deve descredenciar UNITINS

Unitins (TO) cobra mensalidades em cursos de educação à distância. Instituição diz que, sem cobrança, não consegue sustentar projeto

Rafael Targino Do G1, em Brasília

O Ministério da Educação abriu nesta quarta-feira (22) processo administrativo para descredenciar a Universidade do Tocantins (Unitins) na modalidade de cursos à distância. A instituição, em parceria com uma empresa privada, cobra mensalidades de mais de 65 mil alunos distribuídos em nove cursos –o que é vedado para universidades públicas. O pedido foi baseado na recusa da Unitins em assinar um Termo de Saneamento de Deficiências com o MEC. Além de cobrar mensalidades, o ministério diz que, entre outras deficiências, faltam professores e tutores e que a instituição não poderia ter repassado “competências acadêmicas” para um parceiro não credenciado –no caso, a empresa Eadcom. O processo foi publicado nesta quarta no Diário Oficial e a universidade tem 15 dias para se defender. De acordo com a própria Unitins, as mensalidades variam entre R$ 222 e R$ 288. A universidade diz que, se o aluno pagar a taxa em dia, ganha um desconto. O MEC também acusa a instituição de não ter cumprido um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) assinado em abril.

No termo, além de ter prometido não mais cobrar mensalidades, a Unitins tinha se comprometido a não matricular novos estudantes com a cobrança e a transferir os alunos para outras instituições credenciadas a partir de julho deste ano. A    Unitins suspendeu os vestibulares, mas disse, em nota, que continua cobrando mensalidades por não ter “condições econômicas para implementar as medidas saneadoras na forma em que vinham sendo definidas pelo ministério.” Segundo a instituição, sem a cobrança e a parceria com a Eadcom, o projeto não se sustentaria. A universidade afirma que “lamenta” a abertura do processo punitivo por parte do MEC e diz que a transferência de alunos acontece de forma facultativa. A Eadcom, por sua vez, diz que somente dá suporte tecnológico e operacional à Unitins e que todo o conteúdo pedagógico é definido pela Unitins. A empresa afirma que, se necessário, vai se ajustar às modificações pedidas pelo MEC.