Contribuição ao 10o Congresso dos Estudantes da USP

Educação à Distância: por um debate responsável

Nos últimos meses temos acompanhado uma série de debates e manifestações relativas a implantação dos primeiros cursos na modalidade semi-presencial(EAD) na USP. Olhando com atenção os argumentos apresentados pelos grupos que se opõem a esta modalidade o que podemos perceber é uma total falta de informação sobre o que é e qual é a realidade dos estudantes que se interessam por cursos na modalidade semi-presencial.

O que nos preocupa, no âmbito da ABE-EAD é quando a posição contrária a modalidade EAD, que é justa e válida, se confunde com uma posição contrária e discriminatória aos estudantes da modalidade EAD. E é neste sentido que apresentamos esta contribuição.

O ponto inicial é lembrar que o estudante de um curso de graduação na modalidade semi-presencial é um estudante regular da universidade. A afirmação pode parecer redundante mas não é. O que temos visto nos últimos anos é uma posição de segregação dos estudantes EAD por parte do movimento estudantil e em muitos casos, posição corroborada pela universidade. Os estudantes EAD possuem os mesmos direitos políticos de um estudante do presencial, ou seja ele vota e pode ser votado para os conselhos superiores da universidade, para reitor quando isso é possível e é representado pelo DCE, portanto, ele deve ter o seu direito de voto garantido nas eleições da entidade. Mesmo em universidades que possuem cursos EAD há mais de 10 anos, como no consórcio CEDERJ, até hoje os alunos dos pólos não participam das eleições do DCE de sua universidade. O problema disso é que a reitoria quando negocia com o DCE entende estar negociando com todos os estudantes da universidade, independente da modalidade.

Outro problema corrente dos estudantes EAD é a falta de passe escolar. O direito a meia-passagem é constantemente negado, mesmo com os estudantes necessitando viajar para o pólo de apoio presencial as vezes mais de uma vez por semana.

Tendo em vista esses pontos, chegamos a realidade da USP e da UNIVESP. Os cursos da UNIVESP pela UNESP começaram há cerca de 2 meses em uma estrutura semi-presencial onde a presença dos alunos é cobrada no pólo mais de uma vez por semana, além das atividades dentro do AVA(Ambiente Virtual de Aprendizagem).

É importante dizer que a EAD pode ser implementada de diferentes maneiras. Não é possível generalizar. Quando se diz “Contra a EAD”, é necessária a pergunta: mas qual EAD?

  1. A EAD da UFAM que transmite aulas por satélite para os alunos das comunidades ribeirinhas que moram a 15 dias de barco da universidade?
  2. A EAD do Consórcio CEDERJ que faz os alunos levarem as tarefas em papel para o pólo onde elas são corrigidas pelos tutores de conteúdo presentes em todos os pólos?
  3. A EAD da UAB que é baseada no Moodle onde 49% da nota vem das tarefas que são entregues on-line na plataforma e 51% é feita em prova presencial no pólo?
  4. A EAD da UNIVESP que tem os pólos instalados nas próprias universidades com 2 a 3 atividades presenciais por semana?

Isso para ficar apenas nos exemplos de universidades públicas. Não dá para dizer que todos os casos implementam um único formato de aprendizagem. Educadores que trabalham com EAD dizem que já é possível praticar o ensino presencial, de forma semi-presencial ou totalmente a distância de mais de 500 maneiras diferentes. Ou seja, generalizar é uma atitude no mínimo irresponsável. A prática que assistimos no DCE-USP em 2009 se baseou em uma premissa simples: UNIVESP é EAD logo somos contra. Para o DCE da USP, na época, UNIVESP, UAB, CEDERJ, UNITINS, FGV-EAD e Instituto Universal Brasileira era tudo a mesma coisa.

A Realidade da EAD nas públicas

Obviamente a EAD em suas diferentes variações não é e nunca será perfeita. O que temos assistido nos cursos que já estão em funcionamento é uma série de dificuldades enfrentadas pelos alunos e isso tem ocorrido especialmente por conta do modelo adotado pelas universidades e que tem apenas o ponto de vista dos docentes, e que na maioria dos casos, eles, os docentes, tem pouca ou nenhuma experiência com a EAD. Isso gera uma série de problemas durante o curso e que resultam no fato mais comum na EAD: a evasão.

Diante disso o movimento estudantil, na pessoa dos representantes discentes precisa ter um posicionamento responsável. Ele pode ter uma posição de lutar contra a implementação dos cursos EAD, mas não pode ignorar a discussão de sua implementação. É responsabilidade do DCE e dos representantes discentes estudar e propor alterações no projeto pedagógico dos cursos, afim de evitar problemas futuros. Por outro lado aqui chegamos em outro problema: quanto os representantes discentes conhecem sobre EAD? Na maioria dos casos muito pouco.

Aqui vale algumas informações: em especial em relação ao perfil do estudante EAD, sobretudo no estado de SP. Trata-se de um estudante que em muitos casos já possui uma graduação e tem média de idade acima de 30 anos, emprego e família constituída. Ou seja, a maioria esmagadora dos estudantes EAD nas universidades públicas não são estudantes recém-formados no ensino médio. Em pesquisas que a ABE-EAD faz constantemente notamos sempre que os estudantes EAD estão nesta modalidade por opção e não estariam na universidade se fosse presencial, mesmo que ganhassem a vaga e bolsa na universidade.

Outro ponto diz respeito a qualidade dos cursos. É cada vez mais comum verificarmos que o desempenho dos alunos da modalidade EAD é sempre superior quando comparados de maneira direta com alunos do presencial, fazendo as mesmas avaliações e tendo o mesmo conteúdo. Isso não é nenhuma surpresa e se dá pelo fato de que na EAD o estudante é um ser ativo no aprendizado. Já na sala de aula, ele pode estar presente em corpo mas não em mente.

Por fim pelos os números da ABED em 2008 já tínhamos mais 1 milhão de alunos regularmente matriculados em cursos de graduação EAD. Em 2010 esse número facilmente ultrapassará 1,5 milhão, sendo que o total de estudantes nessa modalidade já ultrapassa os 3 milhões. Ou seja não se trata de uma novidade, a EAD já é uma realidade mais do que consolidada.

Por esses números não podemos deixar de questionar o posicionamento da UNE em relação a EAD. Bom, na verdade, a ausência de um posicionamento. A UNE hoje não possui nenhuma resolução relativa a EAD e sua direção se recusa a colocar este tema em votação nos fóruns da entidade há vários anos. Por outro lado o que assistimos no Congresso da UNE de 2009 foi a adoção de um critério diferente para a eleição de delegados dos cursos EAD onde o objetivo foi claramente o de dificultar ao máximo a participação desses estudantes no congresso. Posição reafirmada na atual gestão da UNE pelo seu presidente. A “cláusula de barreira” e o não reconhecimento das entidades representativas dos estudantes EAD na UNE continua. Além disso todas as forças dentro da UNE são contrárias a criação de uma diretoria de EAD na entidade.

Este texto não tem o objetivo de convencer ninguém a ser favorável a modalidade EAD mais sim de chamar os delegados aos 10o Congresso da USP a fazerem um debate responsável sobre a este tema, saindo fora dos clichês e posições infundadas. Vamos debater EAD com seriedade e vamos convidar os estudantes da UNIVESP que chegarão em breve na USP a participar e construir o movimento estudantil da USP.

Leitura recomendada: Educação Sem Distância – as tecnologias interativas na redução de distâncias em ensino e aprendizagem – Autor: Romero Tori – Editoras: Senac São Paulo e Escola do Futuro

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UEE-SP aprova resolução consensual sobre EAD

Em Congresso realizado nos dias 11, 12 e 13/06 em Campinas, a União Estadual dos Estudantes de SP aprovou uma inédita resolução consensual relativa a Educação a Distância. O foco da resolução foi a reafirmação de direitos básicos dos estudantes de EAD bem como um balanço da participação da EAD nos fóruns da UNE. Segue a resolução aprovada:

RESOLUÇÃO CONSENSUAL SOBRE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

Nos últimos anos temos assistido a um crescimento exponencial do número de matrículas de estudantes em cursos de graduação ofertados na modalidade EAD. Essa oferta se dá principalmente através de grandes sistemas privados e pela expansão da UAB. No entanto, esse crescimento nem sempre é seguido da qualidade e das condições necessárias para a oferta dos cursos. Faltam informações e falta acúmulo do movimento estudantil brasileiro para definir uma resolução mais completa sobre EAD. Além disso, os estudantes EAD já representam uma realidade consolidada com mais de 750 mil alunos na graduação EAD, sendo cerca de 150 mil no estado de São Paulo.

A realidade da EAD faz com que universidades públicas de outros estados ofertem cursos em SP, como é o caso da UFOP, UNB e UFMS, somadas as ofertas da UFSCar e UNIFESP nos pólos da UAB. Todos esses alunos precisam ser incluídos tanto nos conselhos e espaços da universidade, como nos fóruns do movimento estudantil. No processo de construção deste Congresso da UEE-SP experimentamos um modelo de eleição de delegados na EAD. Apesar disso, nenhum estudante de EAD conseguiu ser delegado. Esse balanço já está feito e agora a UEE-SP deve caminhar a favor da inclusão e da aproximação desses estudantes analisando um novo modelo. Por conta disso a UEE-SP encaminha ao 51o. CONUNE um pedido de revisão no critério de eleição de delegados na EAD para os próximos congressos e, afirmando o seu papel também de defesa e representação dos estudantes EAD do estado de São Paulo. Propostas:

  • Criação de uma diretoria de EAD na UEE-SP

  • Direito a participação do estudantes EAD nos conselhos e eleições para reitor e diretores das universidades públicas

  • Direito a meia-entrada e ao meio-passe municipal e rodoviário para estudantes EAD

  • Realização de um Encontro de Estudantes de EAD da UEE-SP em conjunto com o Encontro de Universidades Públicas

  • Inclusão dos estudantes de EAD nos fóruns da UNE e UEE-SP e o reconhecimento das entidades representativas desses estudantes.

Com esses princípios, o movimento estudantil paulista deve caminhar em direção a unidade dos estudantes universitários do ensino presencial e da EAD. Ambas modalidades unidas no fortalecimento da UEE-SP e na afimação da UNE como entidade máxima de representação dos estudantes, do presencial e da EAD.

CONCENTRE do CEDERJ estréia blog

O CONCENTRE – Conselho Central dos Estudantes do CEDERJ estreou o seu blog nesta semana. Formado em 2008, a entidade estadual representa todos os alunos de EAD das universidades públicas do estado do Rio de Janeiro. Além do Blog, o CONCENTRE possui um perfil no Orkut com mais de 450 estudantes.

Acesse: http://concentreeadcederj.blogspot.com

Calendário de Eventos 2009

Temos um calendário de eventos recheado neste ano, com atividades ligadas a Software Livre, Movimento Estudantil e EAD. Abaixo seguem os eventos que estaremos participando neste ano, sendo que a agenda ainda pode ser ampliada.

  • Encontro Estadual de Estudantes de São Paulo – 22 a 24/05 – USP – Campus Butantã – http://www.dceusp.org.br
  • 7. Seminário Nacional ABED de EAD – Edição Virtual – 23 a 31/05 – http://www.abed.org.br
  • Etapa regional São Carlos da Conferência Nacional de Educação – 21 a 23/05
  • Etapa regional São Paulo/Osasco da Conferência Nacional de Educação – 06 e 07/06
  • I Colóquio Regional: EAD, Cultura e Produção de Subjetividade – Universidade Federal de São João Del-rei / MG – 05 a 07/06
  • Congresso da União Estadual dos Estudantes de São Paulo – 11 a 14/06 – Campinas – http://www.ueesp.org
  • Congresso Nacional dos Estudantes – 11 a 14/06 – Niterói(UFF) – http://www.congressodeestudantes.org.br
  • FISL – Fórum Internacional de Software Livre – 23 a 27/06 – Porto Alegre – http://www.fisl.org.br
  • II Encontro Nacional dos Estudantes de EAD – 27/06 (durante o FISL)
  • II Encontro de Estudantes de EAD da UNIRIO – 11/07 – Rio de Janeiro
  • 51o. Congresso da UNE – 15 a 19/07 – Brasília – congresso.une.org.br
  • Encontros das Executivas e Federações e cursos (julho)
  • Congresso Nacional dos Estudantes de Computação – ENECOMP – 05 a 07/09 – Curitiba – http://www.enecomp.org.br
  • Conselho Nacional de Estudantes Representantes de Pólos da ABE-EAD – 29 e 30/09 – Fortaleza – http://www.estudantesead.org.br
  • Congresso Internacional ABED de EAD – 27 a 30/09 – Fortaleza – http://www.abed.org.br
  • VI Conferência Latinoamericana de Software Livre (LATINOWARE) – 22 a 24/10 – Foz do Iguaçu – http://www.latinoware.org
  • Conferência Estadual de Educação de SP – dez/2009 – http://www.mec.gov.br/conae
  • Campus Party 2010 – São Paulo – 26 a 31/01/2010
  • Conferência Nacional de Educação – CONAE – Brasília – março/2010
  • I Congresso Nacional dos Estudantes de EAD – março/2010

ABE-EAD lança novo portal e lista de discussão

Neste dia 01 de maio a Associação Brasileira dos Estudantes de EAD, a ABE-EAD lançou oficialmente o seu novo portal. Mais dinâmico ele possibilita o cadastro de estudantes dentro da plataforma Moodle. Batizado de AVOE – Ambiente Virtual de Organização Estudantil, o portal está modelado para ser um ambiente de interação entre estudantes de EAD de todo o país.

Acesse na URL: www.estudantesead.org.br

Além do novo site, a ABE-EAD criou uma lista de discussão de estudantes de EAD de todo o país, que pode ser livremente acessada. O email é lista@estudantesead.org.br. Para se inscrever na lista, basta enviar um email para lista-subscribe@estudantesead.org.br

Novos DAPs formados nos pólos de Osasco/SP e Campo Grande/RJ

É com grande satisfação que cumprimentamos os alunos dos pólos da UAB em Osasco, na região metropolitana de São Paulo e do pólo do CEDERJ/UAB em Campo Grande no estado do RJ pela formação do Diretório Acadêmico do Pólo. Parabéns pela iniciativa e boa sorte em suas lutas por uma Educação a Distância cada vez melhor e de qualidade.

UNE encerra credenciamento de eleições da EAD dia 30

Termina nesta quinta, 30/04 o prazo de credenciamento de comissões de 10 alunos que podem estar aptas a eleger delegados nas universidades com cursos de graduação à distância para o 51o. Congresso da UNE que acontece em Brasília entre os dias 15 e 19 de julho.

Definido no último CONEG com muita discordância dos alunos de EAD, a UNE determinou que é necessário realizar uma eleição estadual única por universidade, tendo para isso pelo menos 1 representante de cada pólo fazendo parte da comissão eleitoral. Tal necessidade tem gerado grande dificuldade para formação dessas comissões e até o momento menos de 5 universidades, em todo o país credenciaram processos junto a UNE.

Diante disso será encaminhado um pedido a Comissão Nacional de Eleição, Credenciamento e Organização (CNECO) de ampliação do prazo de credenciamento de eleições nos cursos EAD. Mais informações sobre o Congresso da UNE em http://www.une.org.br